Arma Zen do Brito: Obrigado Ronaldo!

Linguagem universal, física, polêmica, passional e não verbal, o futebol comunica beleza a diferentes culturas. Sua importância reside na capacidade natural de amalgamar a humanidade através do encanto. Ele nasceu no final do século XIX, quando a Inglaterra, um império decadente, o legou para o futuro como um brinquedo maravilhoso.

Pier Paolo Pasolini, cineasta italiano, costumava dizer que os brasileiros são monstruosos no futebol de poesia, baseado na arte do drible. Comparação feliz. Existe mesmo um futebol de prosa, objetivo e geométrico, tático, e um futebol de poesia, lírico e ilógico, lúdico.
Garrincha arrancando e levando consigo dois ou três adversários, mas deixando a bola intocada, é o ícone maior do jeito brasileiro de jogar futebol. Europeus jogam por quadraturas e triangulações, pelo resultado. Brasileiros jogam por elipses, provocam lapsos na lógica do jogo, seduzem pelo prazer de jogar.
Ronaldo foi o último grande semi-deus brasileiro com a bola nos pés. Outros já começam a traçar suas histórias, mas ainda não podem se comparar ao fenômeno. Tal como um Ulisses tupiniquim, ele viveu todas as aventuras e voltou para casa em boa paz. Merece o descanso do sétimo dia, tem lugar assegurado em nossa memória.
Durante muito tempo ainda ouviremos: eu sou o Ronaldo. Eu sou o Ronaldo também. Cada time com o seu, um sem camisa e o outro com camisa a cada racha que começa. No Afeganistão ou em Cubatão, o mundo ainda verá “Ronaldos” jogando, verdadeiro fenômeno, o apelido é justo.
O craque brasileiro se despediu da seleção sem marcar gols. No seu último jogo, tranquilo com o lugar que conquistou na história, ele se livrou da sina de goleador que colocou seu nome entre os melhores do futebol mundial de todos os tempos. Cara a cara com o goleiro, chutou para fora. E riu de balançar os ombros. Seu peso já não é maior do que os joelhos podem suportar. Ele disse poucas palavras antes de ir, seu discurso fora proferido por anos a fio, em versos feitos com os pés.
Ronaldo nos fez esbanjar alegria, vibrar com a superação, desenhou meia dúzia de traços alegres no rosto do povo brasileiro. Ficamos mais bonitos depois da sua passagem pelos campos. Para sempre nós e os povos do mundo todo lhe seremos agradecidos por dedicar a juventude a aliviar nossa humana melancolia.

Obrigado Ronaldo!

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