Arma Zen do Brito: São Jorge Guerreiro da Bahia

Na lua, o guerreiro cavalga para o dragão fazendo uma prece sua. Longe de querer se ver Narciso batalhando no espelho das águas do lago, ele preferia espantar o bicho  para um buraco negro que desse para fora do espaço sideral, e depois ir logo estender-se numa rede entre as palmeiras reais de um solar distante.

A preguiça fora sua verdadeira vocação desde a primeira infância, sempre acostumada e generosa, desprovida de pressas. Mas agora era preciso lutar e lutar até o fim. Praguejando esses pensamentos o guerreiro se apanha novamente cavalgando em vão, evitando o combate, ameaçando espetar a fera apenas para mantê-la distante. É assim há tanto tempo que nas noites de lua cheia o dragão se deita marotamente sob as patas dianteiras do cavalo, de modo a fazê-lo empinar. É quando o guerreiro sente mais vontade de lhe sangrar o coração com um golpe certeiro, agoniando os amantes nas janelas e transtornando os cabelos de prata de Iemanjá estendidos sobre o mar, do cais até o horizonte. (Por Lelo de Brito)

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